5 de novembro de 2009

Motivos para ter mais medo do David Bowie do que do Michael Jackson


1 - Michael Jackson mudou o rosto cirurgicamente diversas vezes, tornando-se irreconhecível para os fãs ao longo da carreira - até um branco sem nariz ele ficou, mas sempre o mesmo Michael amigo da garotada. Bowie, por sua vez, é conhecido como "camaleão do rock" de Ziggy Stardust até o começo da década de 1990 com o "visu" mais sério de Tin Machine. Ele mudou de cabelo e personalidade mais vezes do que um esquizofrênico maníaco-depressiva com múltiplas personalidades.

2 - Segundo tablóides, Michael Jackson comprou os ossos do homem-elefante para ter como souvenir em casa. Já Bowie, pouco satisfeito se tornou o próprio homem-elefante, estrelando uma montagem para a Broadway.

3 - Que Michael Jackson não tinha nariz todo mundo sabe. E Bowie tem um olho de cada cor por causa duma porrada que levou de um amigo por causa de uma namorada que ele pegou, claro.

4 - Michael Jackson se dizia heterosexual, mas provavelmente não cortava pra lado nenhum. Bowie foi gay, hetéro, gay de novo, bissexual e hoje (até então) é apenas hetéro.

5 - Michael Jackson fez parceria com o beatle Paul McCartney e depois ferrou tudo. Bowie fez parceria com os Rolling Stones (Andie Bowie que o diga), escreveu o hit "fame" com John Lennon e ainda se associou à Freddie Mercury na ótima "Under Preasure".

6 - Em Neverland, Michael Jackson brincava com criancinhas na montanha russa e no carrosel. Bowie, no filme "Labirinto" de 1987, como o Rei dos Duendes raptou um bebê e ainda o usou para chantagear sua irmã de 13 anos (Jennifer Conelly) com o objetivo de ficar com ela.

7 - Michael Jackson criou os filhos sem mãe. Já David Bowie, por sua vez, chamou Iggy Pop para morar junto e ajudar a criar o filho durante sua fase Berlim (1976-1980). Em outras palavras, uma situação muito vantajosa para o desenvolvimento saudável e feliz de uma criança.

8 - As drogas mataram MJ. As drogas deixaram DB mais divertido.

9 - Michael Jackson só comia criancinhas. Já David Bowie... hum... esse come qualquer coisa... então, vá pela sombra.

29 de setembro de 2009

Shades of Something pt.2

A lógica para controle mundial é aparentemente fácil, mas como esquivar-se disso? Como dissuadir a idéia? Para isso, a SOS usa um método aprendido há muito tempo através de nossos próprios inimigos. O fato é que não nos lembramos de tudo que vemos. O que nem todos percebemos é que não vemos tudo que pensamos ver. A evidência mais simples disto é o ponto cego de nossos olhos, uma região da retina por onde o nervo ótico passa e que está assim desprovida de fotorreceptores, Esse pequeno pondo, a “cabeça do nervo óptico”, não capta imagens.

Se você nunca experimentou o ponto cego de seu próprio olho, feche o olho direito e fixe o olho esquerdo no círculo vermelho abaixo. Agora, aproxime-se lentamente do monitor, sem deixar de fixar o círculo vermelho.



Quando estiver a em torno de um palmo de distância do monitor, a estrela azul deve sumir – é porque a imagem dela passou sobre o ponto cego. Se continuar se aproximando ou se afastar novamente, a estrela surge outra vez. O mesmo ocorre com a bola vermelha, se você fizer isso fechando o olho esquerdo e olhar para estrela azul.

Perceba que quando o círculo ou a estrela somem, você não vê um ponto escuro no seu lugar, ao invés, a área é substituída pelo branco à sua volta. Isto ocorre pela mesma razão pela qual você geralmente não percebe seu próprio ponto cego: o cérebro continuamente preenche o buraco com informações ao redor e do outro olho. Você pensa que enxerga tudo em seu campo de visão, mas nem mesmo na própria retina isto é verdade.

Seguindo em frente e ampliando o exemplo...

“Tribos das ilhas Trobriand que pescam no mar profundo, onde tempestades repentinas e águas desconhecidas são preocupações constantes, têm muito mais rituais associados à pesca do que aquelas que buscam peixes em águas mais rasas. Pára-quedistas vêem mais facilmente uma figura não-existente em um monte de ruído pouco antes de pular do que quando em terra. Jogadores de beisebol criam rituais em proporção direta à caprichosidade de sua posição – por exemplo, lançadores são particularmente propensos a enxergar conexões entre a camisa que vestem e seu sucesso. (…) Mesmo em nível nacional, quando os tempos são economicamente incertos, as superstições aumentam”.

O trecho é parte de um trabalho publicado na Science em 2008, que não se resume apenas a relatos. Jennifer Whitson e Adam Galinsky conduziram seis experimentos que confirmaram a tese de que a sensação de falta de controle aumenta a percepção de padrões ilusórios, fazendo pessoas verem algum significado onde realmente não há.

A série de experimentos é interessante pela variedade de padrões ilusórios que averiguou, como ver imagens em ruído, desenvolver superstições, mesmo formar correlações ilusórias sobre informações de bolsas de valores e… enxergar conspirações.

“Experimentar uma perda de controle levou os participantes [do experimento] a desejar mais estrutura e a perceber padrões ilusórios. A necessidade de estar e sentir-se em controle é tão forte que os indivíduos produzirão um padrão a partir do ruído para levar o mundo de volta a um estado previsível”, escrevem os pesquisadores.

Suponha que nossos líderes não estejam totalmente em controle. Naturalmente, muitos presumirão que se Lula ou Obama não estão realmente no controle, alguém, ou algum outro grupo sinistro e todo poderoso deva estar. Mas na verdade, a suposição aqui é que nem Lula, nem Obama, nem nenhum grupo sinistro e poderoso realmente controle com muito sucesso o nosso presente e futuro. Que mesmo as figuras mais poderosas no planeta, detentoras do poder de aniquilar toda a vida terrestre ao apertar um botão, possam estar tão perdidas sobre o futuro da humanidade em dez anos quanto uma criança abandonada. Que a Queda do Muro de Berlim e o 11/9 tenha pego de surpresa você, astrólogos, presidentes e quaisquer outras pessoas que realmente ache que compreenda ou tenha algum controle sobre o mundo.

É uma idéia desconfortável. Preferimos pensar que estes acontecimentos obedecem a um padrão, que se não nós, alguém sabia o que iria acontecer e mais, sabe o que irá acontecer.

Enquanto alguns podem temer um mundo onde conspirações grandiosamente elaboradas por gênios do mal se tornam realidade, a perspectiva de viver em uma Idiocracia imprevisível movida por credulidade e estupidez pode ser ainda mais aterrorizante. E a realidade, a nosso ver, é uma mistura de ambos.

Enfim, se todo olho tem um ponto cego e a perda de controle cria ilusões para se tentar reordenar o mundo, é aí que a SOS se instala. Atua-se no ponto cego de qualquer aparelho de controle e aí a confusão/ilusão resultante fica por conta Deles. Eles mesmos criam cascas e mais cascas sobre sua própria conspiração... e é exatamente aí que a SOS está, a um palmo de distância de seus olhos.

“Sim! Há conspirações! E várias! Mas elas se anulam no caos. O mundo é controlado por palhaços infames”
Alan Moore

2 de setembro de 2009

Shades of Something pt.1


1. Em algum ponto da história Eles começaram a se organizar. Não se sabe ainda se eram poucos ou muitos, mas tinham a idéia e eles a foram transmitindo por uma canção, história, lenda ou pelo inconsciente coletivo. Essa idéia tem poder. Ela se prende à mente e sua única vontade é se propagar, dominar e destruir seus rastros. Algumas pessoas se lembram disto através da ficção cientifica e da fantasia. Isso só ocorre quando a história não “pega” bem. A idéia é uma versão da Terra. Existe uma outra Terra, uma outra história, uma Terra perdida nas névoas do passado e do pensamento, de onde adaptaram para a nossa. Eles queriam controlar a informação, eles queriam controlar a História. Eles queriam moldar o que nós entendemos por Terra.

2. Eles viram que era bom construir cidades, civilizações, dividir o que deveria ser uno, criar linguagens diferentes, fazer-nos falar demais, ouvir demais, construir, conquistar, ter, querer, desejar e nunca ficar satisfeito. Através da idéia criaram confusão, caos disfarçado de ordem. Só assim eles teriam supremacia. Criou-se as primeiras cidades, que destruíram as menores, com guerra, sangue e estupros. Tente pensar como seriamos se todos se entendessem numa linguagem universal, a incomunicabilidade facilita o controle. Eles controlaram a informação, eles controlaram a História. Eles moldaram o que nós entendemos por Terra.

3. E claro, eles criaram algumas religiões. Separar, conquistar, dominar e impor medo de crescer, aceitar que a vida é no fim apenas um tempinho gasto até morrer demanda um pai severo, com castigos ou prêmios. As cidades são a carroça, a vida em civilização é a venda nos olhos e a religião é o cara que guia o cavalo. Eles ergueram igrejas em linhas de sincronicidade global, suprimiram e assimilaram tudo que divergia da idéia e deixaram no lugar das potencialidades humanas, o medo. No lugar do entendimento, a regra que leva a obediência cega, e que alivia o fardo de pensar por si só. Para se esconder criaram ainda outras ordens, outros grupos de cunho secreto ou abertos, esotéricos e exotéricos. Várias camadas de cebola na qual atrapalhasse a mera visualização do miolo. Eles não controlam tudo e nem precisam, o resto a humanidade fez sozinha guiada pela idéia, apagando ainda mais os seus rastros. Eles aumentaram a confusão, eles fomentam a insegurança.

4. Por fim, a idéia está se esvaindo. Ela já formatou quase tudo o que somos, e nem percebemos. Foi um processo secular. Ela criou o vazio que te dá a impressão de que tudo se acelerou e que não há mais significado. E eles ainda estão lá, controlando tudo de seus panópticos. Nem precisam mais da idéia. Ela se cristalizou no homem. Mas alguns de nós não se adaptaram. Às vezes, certos homens acordam, criam caos suficiente para mostrar que estamos indo para o lugar errado. Aí Eles e a idéia criam articulistas irônicos, situações paradoxais que dão dor de cabeça nos mais simples. Ou simplesmente mudam as regras do jogo. Se usar a igreja, exército e autoridade deslavada não deu certo, incorpore o rebelde. Deixe aquele sentimento de que "isso é errado, eu quero me rebelar" ser sufocado pela paradoxalidade de musicas ruins, com palavrões contra o sistema, jogos violentos e filmes piores. Pois o rebelde não pode ser contra a liberdade de criar. Então crie falsamente algo libertário sob a casca conformista de algo ruim e não saberemos o que fazer. Aquecimento global? Oras, vamos pra balada. Isso é coisa de nerd. As coisas se arrumam sozinhas. Eles ainda controlam a informação, eles ainda controlam a História. Eles ainda moldam o que nós entendemos por Terra.

5. A única maneira de combater isso tudo é saber os limites. A idéia é o limite, e se você empurrar bastante, eles se alargam. Confundir mais, superar a desordem da incomunicabilidade com mais caos, embaralhar a informação. Só quando os limites forem longos o bastante a névoa será desfeita. Você teve uma brecha alargada e viu isso, só não juntou as peças ainda.

28 de agosto de 2009

Espelho (in)consciente

Seu Pessoa: Espelho, espelho meu! Existe alguém com a vida mais ferrada que eu?
Espelho: É lógico que existe, ó grande néscio, existem centenas e milhares de pessoas com a vida pior do que a sua.
Seu Pessoa: Hunf... é eu sei... então por que é que me sinto tão mal?
Espelho: Isso só acontece, porque você conversa com um espelho.
Seu Pessoa: É... faz sentido... chuinf...
(...)
Espelho: Ó rebotalho de gente, não estou aqui para alegrá-lo, mas posso confortá-lo.
Seu Pessoa: Pô espelho, isso é quase como dizer: “Vou te dar uma notícia ruim e boa ao mesmo tempo”.
Espelho: Prefere que me expresse nesses termos?
Seu Pessoa: Não... que seja, conforte-me!
Espelho: Saiba então que as pessoas em sua maioria conversam com espelhos.

30 de julho de 2009

Um espectador inteligente

Jacopo Belbo e seu amigo Casaubon conversam:

"-Serve para classificar, para ordenar índices e atualizar verbetes. Poderei escrever um texto meu, não o de outros.
- Mas jurastes que nunca mais escreveria nada teu.
- Jurei que não afligiria o mundo com outro manuscrito. Disse que havendo descoberto não tendo o estofo do protagonista . . .
- Serias um espectador inteligente. Isso já sei e daí?
- Daí que o espectador inteligente, quando volta de um concerto, cantarola um trecho do segundo movimento. O que não significa de forma alguma pretender regê-lo no Carnegie Hall . . ."
extraído de "O Pêndulo de Foucault" de Umberto Eco

Ser um espectador inteligente às vezes me parece ser a decisão mais acertada... penso isso pra cada projeto artístico abandonado. Penso também nos péssimos músicos, escritores, criadores, artistas que a gente acaba engolindo só porque insistimos em andar de boca aberta. Eu me resolvia com isso. A resposta era: Não faço! Mas e agora? E agora que não tenho certeza mais sobre o meu "estofo de protagonista". E quando eu começo a achar que eu pode criar algo bom.

Angústia.

Hunf... haja pretensão né!? A única certeza que fica é que a posição de espectador inteligente é a mais cômoda. E no livro citado, Belbo mostrou-se um grande protagonista. E haja estofo.

29 de julho de 2009

Adendo sobre a beleza...

arte da sérvia Maja Veselinovic

TRADUZINDO: Não basta a ponte servir a seu propósito... acima de tudo, uma ponte tem de ser bela!

Extraído da Revista Grafitti, 19ª edição

24 de julho de 2009

Sobre a Beleza, o Sexo e Milo Manara


Certa vez li numa entrevista o roteirista Alan Moore falando sobre as mulheres de Milo Manara. Para quem não sabe, Manara é um grande artista italiano de quadrinhos, famoso pelas suas lindas mulheres e histórias de cunho erótico. Alan Morre reclama que as mulheres de Manara eram "homogêneas demais, sempre com o mesmo tipo de corpo, mas sem personalidade". Enfim, ele conclui: "Eu preferiria se tivesse um pouco mais de humanidade, porque senão você reduz a mulher aos sentidos".

Concordo com o Sr. Moore, mas evoco: as mulheres de Manara são lindas! Sempre iguais (com os mesmos lábios de boquete, segundo Moore), mas ainda assim lindas. Quanto a questão da humanidade, eu já penso duas vezes antes de afirmá-lo. Um amigo defendeu o cinema de Tinto Brass (diretor do polêmico filme Calígula e de outros filmes porno-eróticos que se vendem a R$ 12,90 nas Americanas), como uma tentativa de mostrar o sexo como algo alegre e descompromissado. Como algo importante para o amor e para a vida, sem pressão social ou peso na consciência. Algo assim. E para mim Manara sempre foi isso. Erotismo alegre, fantasias pornográficas e nada mais complexo que necessite ultrapassar os sentidos.

Em uma última viagem de trabalho, a revista de bordo trazia uma reportagem com Manara, e ele define a beleza de uma forma que me tirou o fôlego:

"A beleza é um conceito difícil de explicar, pelo menos para mim. Mas vamos usar como exemplo um quadro muito famoso de Van Gogh, Os comedores de Batata. A cena representa uma situação de extrema pobreza e de miséria. Os personagens têm os corpos representados com bastante feiúra, deformados por um trabalho muito rígido. Estão vestidos com trapos e a sua mesa miserável é iluminada com a luz vívida de um lampião. Os tons são escuros e esverdeados, tudo menos belos. Por quê? Vamos pegar outro exemplo. Existe um quadrinho muito famoso chamado Maus, de Art Spiegelman. Ele conta a história terrível do holocausto dos judeus nos campos de extermínio. Para contar aquela história, Spiegelman usou animais no lugar de humanos, fazendo com que ela parecesse ainda mais atroz. Os judeus são representados como ratos e os agentes da SS como gatos. Mas não são gatos e ratosdesenhados como Walt Disney faria, o desenho é sujo, estranho, sem nenhuma elegãncia, e nós ainda dizemos que é um quadrinho belíssimo. Por quê? Dostoievski dizia que só a beleza poderia salvar o mundo. Pessoalmente, pelo pouco que vale minha opinião, estou totalmente de acordo. É a beleza que um grande artista consegue exergar nos comedores de batata e nos pobres ratos de Spiegelman. É a beleza que tem em todas as coisas e é preciso aprender a reconhecê-la. Claro, é muito mais fácil ver a beleza em uma bela mulher, no Corcovado ou num oceano em tempestade... Certamente, olhando uma bela mulher até eu penso que a beleza pode salvar o mundo".

Enfim, a beleza não se limita a padrões estéticos, a beleza é uma idéia, um ideal até. E pra fechar, o cineasta alemão Win Wenders fez questão de escrever na abertura de Asas do Desejo, o filme em que narra a disputa entre o efêmero e o divino, algumas linhas do Novo Testamento: "A luz do corpo é o olhar. Se o olhar for limpo, o corpo inteiro está cheio de luz. Mas se o olhar for mau, o corpo inteiro estará cheio de escuridão" (Matheus, 6, 22).

P.S.: O lançamento de Verão Índio de Hugo Pratt e Milo Manara, foi sem dúvida uma das minhas melhores últimas leituras. Recomendo!

14 de julho de 2009

Sobre o Irã, o Twitter, o Ashton Kutcher e hunf... celebridades brasileiras


No último mês o Irã deu indícios das possiblidades de se criar novas formas de fazer História. A polêmica da fraude da reeleição de Mahmoud Ahmadinejad tornou-se um caso especial para mostrar o poder das novas mídias. Contextualizando, o Irã tem uma longa história de oposição política à ditadura islâmica, marcada por muito sangue misturado a petróleo. O fato é que nós, aqui do outro lado, não sabemos muito o que acontece lá naqueles confins.

Os defensores da democracia lutam por ela naquele país há 40 anos. Eles passaram por torturas, desaparecimentos e opressões. A censura lá é brava, não há absolutamente liberdade de expressão, e boa parte dos que continuam lutando e morrendo pela democracia (alguns, inclusive, pelo direito de não ter dogmas religiosos instituídos) são jovens. Enfim, a coisa é: eles estão se organizando pelo Twitter. E de maneira brilhante, sem precedentes.

O Twitter já foi usado de forma igualmente brilhante em coberturas de desastres, em outros casos de acusações de fraudes eleitorais e já mostrou que é uma ferramenta de valor incontestável nesse sentido. O governo iraniano, inclusive, tentou bloquear as conexões ao site, mas os usuários contornaram e usaram proxies. Depois, o governo bloqueou a busca pela tag que estava sendo usada pelos iranianos para cobrir os massacres e as repressões, #iranelection, e eles se organizaram e trocaram de tag (para #Teeran); e por último, mas não menos importante - os iranianos mobilizaram usuários do Twitter ao redor do mundo inteiro para que troquem a nacionalidade de seus perfis, todos, para Teeran, fuso horário +3:30 GMT.

Isso é para confundir os censores iranianos, que podem buscar os perfis de quem tem twittado com as tags em questão, e perseguir aqueles que se dizem de nacionalidade iraniana. Mas se todo mundo no mundo viver em Teeran, bem, talvez eles tenham dificuldade em identificar quem tá falando a verdade e quem não tá.

Pela internet, os iranianos fizeram toda a cobertura que o governo impediu que a imprensa fizesse. E a partir do momento que os usuários fazem o tema se tornar relevante na internet, a mídia de todo o mundo passa a considerar o assunto pauta. E começam a noticiar o conflito a partir das poucas, únicas fontes disponíveis - os twitteiros e flickeiros que estão nas ruas de Teerã relatando os fatos.

Protesto contra a reeleição que terminou com manifestantes mortos e feridos.

Até aí tudo "lindjo"! Uma salva de palmas pros caras e... mudemos para o Brasil, que segundo a música "é bonito por natureza". Aqui a gente acha que tem poder porque emplaca um #chupa, na partida do Brasil x EUA do dia 28/06, como Trending Topic (para leigos: palavras mais faladas) no Twitter. E porque recebeu uma resposta do Ashton Kutcher.

Aí um monte de celebridades palpiteiras, reuniram-se num suposto movimento para fazer que as pessoas no Brasil twitassem a palavra #forasarney e que essa palavra entrasse também como Trending Topics. Até pediram para que o Ashton Kutcher (ai, ai, ai) ajudasse twitando o termo e pedindo para que os seguidores dele fizessem o mesmo. Afinal, Ashton Kutcher é de uma relevância política, social, cultural, econômica e mundial sem precendentes. E não é que o cara respondeu:


“Só VOCÊS tem o poder de tirar seu senador. É SEU país. Vocês têm que lutar pelo que VOCÊS acreditam. Eu não tenho voto”

Caralho, "que vergonha do cumpade Arcide" (conforme a piada), até o atorzinho teve de nos lembrar que não se faz "revolução" sentado no sofá. Só se for a revolução da bunda.

A cobertura e a revolução que o Irã provocou não foi fabulosa simplesmente porque aconteceu no Twitter. Foi fabulosa porque o Twitter serviu como TRANSMISSOR de algo que estava NAS RUAS. Foi feita por pessoas, gente comum, e não VJs da MTV (digo Marcos Mion), cantores infanto-juvenis de moicano (digo Junior "Sandy" Lima) e apresentadores de programas dominicais (digo Christian Pior). Aliás - foi feita também pelos VJs, pelos cantores, e apresentadores, mas os holofotes, eu garanto, estavam sobre o povo que se manifestava nas ruas pela recontagem nos votos. O Twitter revolucionou apenas a maneira de MOSTRAR isso pros outros.

A revolução não será criada na internet - a internet só tem o poder de espalhá-la mais. Infelizmente, leva um pouco mais do que Trending Topics e de celebridades oportunistas tentando alavancar fama pra si mesmo em torno de causas sociais pra fazer as coisas mudarem. Mas baseado nessa lógica simples e revolucionária de mudar o mundo, aquele cabra do CQC soltou essa:

Vai que acreditam né!? A gente ainda saí no lucro.

2 de julho de 2009

Cyberpunk

Conceito Cyberpunk: é um gênero estético nascido dos exercícios literários de futurologia sobre os aspectos negativos da interação entre seres humanos e tecnologia.

O conceito Cyberpunk ao carecer de rigor filosófico, tende a ser enquadrado como um sistema estético, mais sujeito à mobilidade das apreciações subjetivas, do que às reflexões teóricas. Isto não impede as tentativas de se fazer distinções entre as produções meramente interessantes e aquelas legitimamente cyberpunk. Como tudo nas ciências humanas, a inexatidão e a variabilidade não podem servir de pretexto para a renúncia a qualquer rigor classificatório, os critérios aqui expostos podem fornecer subsídios para que os cultuadores do estilo possam reconhecer as produções que atingem os requisitos daquilo que a maioria de nós aceita como realmente pertencentes ao gênero Cyberpunk.

Apesar de muitos considerarem o movimento cyperpunk extinto ainda nos anos 80, ele está mais vivo do que nunca. A lista de características abaixo, acompanha a citação de um filme que sirva de bom exemplo a característica citada (o que não significa ser um bom filme em termos mais gerais).

1- Impactos negativos do tecnicismo sobre o humanismo: Em um dos futuros possíveis, ante o risco eminente dos aparatos tecnológicos assumirem abruptamente o controle das mediações sociais, são criados reinos anti-utópicos de domínio das máquinas sobre os humanos. O tema do conflito entre civilização humana x poder das máquinas, além de comum na literatura cyberpunk, é um elemento indispensável no reconhecimento das obras. Exemplo: Matrix (1999)
2- Fusão entre humanos e máquinas: A ambigüidade entre ciborgues, programas “conscientes” e robôs, cria a nebulosidade necessária para ofuscar as diferenças entre humanos e humanóides. O lusco-fusco da fusão entre homem e máquina acontece entre o extremo dos filmes japoneses em que a união é invasiva, até abordagens mais suaves, onde os programas passam a assumir papeis tradicionalmente desempenhados por humanos.A integração forçada homem-máquina implica em distorções percepcionais da realidade – muitas histórias exploram tais conflitos, criando uma dicotomia entre mundos, o virtual-mecânico contrapondo-se ao real-humano. Exemplo: Robocop (1987)

3- Controle corporativo sobre a sociedade: um derivativo da teoria da conspiração: É freqüente o aparecimento de uma entidade de caráter absolutista, algumas vezes representada por uma corporação, outras por um governo. O temática das corporações de desenvolve num clima de futuro anti-utópico, onde os últimos traços de civilização ficam reservados ao intramuros de cidades protegidas, porém sem a permissão de direitos civis, que são solapados em nome da auto-preservação do da espécie humana. Exemplo: Nirvana (1997)

4- Ambientes underground: Enquanto a elite dirigente guardiã da civilização preservada, vive protegida por fortes esquemas de vigilância, ao oprimido resta a marginalização ou até ao refúgio em subterrâneos, onde vive à margem tanto dos bens civilizatórios, como do controle exercido sobre os cidadãos da superfície. Exemplo: Metrópolis (1927)

5- Temática comunicacional: Uma das temáticas mais caras ao gênero cyberpunk, o fluxo de informações, suas interações e suas interferências na vida real, fornecem o espaço ideal para que hackers e piratas de redes se movimentem. As conexões entre os seres humanos e as redes provocam a deformação da realidade, condição necessária para a revogação das distinções entre virtual e verdadeiro. Exemplo: Johnny Mnemonic (1995)

6- Visual e estilo: o visual cyberpunk costuma apresentar características que oscilam entre o sombrio e o hiper-realismo, como no caso do filme Blade Runner, que é uma síntese perfeita do estilo Cyberpunk. A fotografia pode ser eventualmente dominada por uma cor preponderante, contrastando detalhes berrantes de néon contra fundos extremamente escuros. Exemplo: Blade Runner (1982)

Se quiseram saber mais, uma boa lista de filmes cyberpunk separados por década (em inglês) aqui.

12 de junho de 2009

Xang Só

Existem coisas que, não importam quantas pessoas estejam do seu lado, você está sozinho. Não importa o quanto você queira falar, você não pode. Não importa o quanto você queira fugir, você vai ter de ouvir. Não importa o quanto será bom ir, você sente que seria muito mais confortável ficar.

Existem decisões que não dão tempo para dúvidas e demandam respostas diretas mesmo que incertas. Existem necessidades que suplantam sonhos. Existem sonhos que nasceram para serem fantasias e que não importa o quanto seria interessante compartilhá-lo, ele é vai ser sempre sua fantasia. Seu ponto de fuga.

Existem coisas que nasceram para serem suas e só suas. Existem solidões da mente que vão ser sempre isso: solidões, assim como existem momentos que nasceram para serem só seus. Momentos felizes e tristes que se perderam para sempre nos desertos da mente... mas que estarão lá, como um oásis esperando a nossa única e solitária visita ilustre.

Existem momentos que não importa o quanto se queira ou se precise... você vai estar ou se sentir sozinho. E você vai desejar poder resolvê-los todos assim, sozinho. Você vai desejar não depender de ninguém, mas no fundo, no fundo vai suplicar por ajuda.

E os problemas irão passar. E você irá resolvê-los. As pessoas irão te ajudar, mesmo que cheio de dedos. Mas você vai sobrar. Irão sobrar suas mãos, pés e corpo. Vocês serão sempre sozinhos.